História da Língua Chinesa I – Carapaças de Tartarugas

extraído do Informativo Trimestral do EQUILIBRIUS – nº 8
Publicado originalmente em:
http://www.taichichuan.com.br/informativo_taichichuan.php

 

Você já pensou em escrever em uma carapaça de tartaruga ou em ossos de animais?

Uma pergunta como esta pode parecer muito estranha em nosso contexto atual, mas há mais de 4000 anos, foi assim que começou a representação escrita da “língua chinesa”.

Entre aspas, porque naquele momento ainda não era assim chamada; nem mesmo o país conhecido como China existia formalmente como o entendemos hoje.  Historicamente falando, os registros arqueológicos mais antigos de uma escrita chinesa sistematizada remontam ao período da Dinastia Shang (1751 a 1066 a.C.) e são conhecidos
como Jiaguwen.

Jia significa concha – neste caso referindo-se à carapaça da tartaruga; Gu significa osso, e Wen se refere à escrita. Mas, sabe-se que a escrita chinesa sistematizada já existia desde a Dinastia Xia (séc. XXI a XXVI a.C).

Naquele período, os caracteres eram gravados em ossos de bois ou carapaças de tartarugas usando instrumentos cortantes, algo como um entalhamento, ou podiam também ser escritos com tinta preta ou vermelha. As representações deste momento são chamadas de pictogramas (ou signos pictográficos), que são basicamente a busca da representação iconográfica de objetos concretos, preferencialmente de fácil identificação, em teoria.
Mas, ao longo do tempo,  descobriram que poderiam representar algo mais complexo; através da combinação de pictogramas, poderia-se criar novas idéias, representações ou significados, criando-se assim os ideogramas, que
representam idéias, não mais apenas uma representação iconográfica, um desenho.

Por exemplo, posso desenhar uma árvore, mas como faço para representar um bosque?  Desenho duas árvores), mostrando-se a junção de árvores. E como faço para representar uma floresta? Desenho 3 árvores, mostrando-se a junção de árvores em uma quantidade ainda maior.

É interessante citar que foram registrados mais de 5 mil caracteres diferentes de Jiaguwen, mas em consequência  a dificuldade de se decifrar e dos registros históricos escassos, menos de dois mil foram reconhecidos. Talvez no futuro com novas descobertas arqueológicas, o entendimento possa ser maior.

Um outro dado muito interessante a respeito dos Jiaguwen é que os ossos e carapaças eram queimados para usos de advinhação, ou seja – os escritos também são registros de sessões oraculares, feitas da observação da queima dos ossos e carapaças e das rachaduras resultantes das queimas, com o intuito de fazer previsões das colheitas, previsão do tempo, guerra e assuntos políticos e outros.

No próximo artigo estudaremos sobre o período posterior à Dinastia Shang e sobre os Jinwen, as escritas nos objetos de metal.
Bom estudo!

Faça o download do Informativo número 8 completo aqui: http://www.taichichuan.com.br/arqdoc/informativo_08.pdf

Palestra: OS BENEFÍCIOS DO TAICHICHUAN – Prof. Castro Junior

Local: Espaço de Convivência do Idoso, ligado ao Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo.

Participação especial dos alunos do último ano de enfermagem da UNINOVE com prof. Rodrigo Serva.

Agradecimento especial à Profa. Raffaella Pezzilli pelo convite.

Obrigado a todos pela acolhida!

Os Cinco Caracteres Secretos do Tai Chi Chuan

Trecho extraído do livro:  “TAI CHI CHUAN – Saúde e Equilíbrio” – 3ª edição, 2017
Publicado originalmente em:
www.segredodosmestres.com.br/single-post/2018/06/11/Os-Cinco-Caracteres-Secretos-do-Tai-Chi-Chuan

(…) Os Cinco Caracteres Secretos

Os Cinco Caracteres Secretos do Tai Chi Chuan foram elaborados por Li Yi Yu (李亦畬, 1832-1892), sobrinho e melhor estudante de Wu Yu Xiang (武禹襄, 1813-1880), criador do estilo Wu/Hao de Tai Chi Chuan. O Mestre Li Yi Yu foi professor de Hao Wei Zhen (郝为真, 1849-1920) que ensinou o Tai Chi Chuan para Sun Lutang (孫祿堂 , 1861-1933), criador do estilo Sun de Tai Chi Chuan.

Os Cinco Caracteres Secretos mostram como o desenvolvimento interior pode ser alcançado no Tai Chi Chuan. É importante compreendermos o que eles significam, para obtermos resultados melhores e mais eficientes na prática do Tai Chi Chuan.

1 – Calma: nossa mente deve estar sempre calma, para que possamos controlar todos os movimentos com consciência, mantendo a postura correta. Sem a calma do espírito, não há concentração e a execução do menor movimento para qualquer direção será desordenada. É necessário ter o espírito calmo. Temos de aprender, com todo o nosso ser, a conhecer e seguir os movimentos do oponente. Se o oponente empregar força, devemos imitá-lo, nos antecipando a ele; se ele não a empregar, não a empreguemos tampouco, mas o nosso pensamento há de sempre antecipar-se ao dele. Não devemos perder o contato, resistir, avançar ou retroceder por nós mesmos, apenas perceber e seguir o movimento do outro. O espírito deve estar a todo instante atento e aplicado ao ponto de onde vem a força. Com o tempo, disso resultará o controle dos outros por nós e não a nossa submissão ao controle dos outros. Isso significa usar a mente e não a força.

2 – Agilidade: todos os movimentos devem ser coordenados corretamente, aplicando o princípio do cheio (Yang) e vazio (Yin), expansão e recolhimento, avanço e recuo. Dessa forma, teremos agilidade nos movimentos colocando a energia correta. Se nos empurram pelo lado esquerdo, esvaziamos o lado esquerdo. Se nos empurram pelo lado direito, esvaziamos o lado direito. Todas as partes do corpo devem estar coordenadas. A energia Chi é como uma roda, todo o corpo precisa estar coordenado. Se há alguma parte que não está coordenada, então, o corpo estará disperso e desestruturado e não poderá acumular potência. Se seguir sua própria vontade, ficará bloqueado. Se seguir seu oponente, se sentirá vivo e então suas mãos poderão distinguir e ponderar exatamente a quantidade de força dele e medir a distância de sua proximidade sem cometer erros. Quanto mais nos exercitarmos e praticarmos com atenção nos princípios, mais perto chegaremos da perfeição.

3 – Respiração: a respiração deve ser correta, sendo a inspiração e a expiração constantes, para que a energia Chi flua e possa ser acumulada. Quando o Chi está disperso, ele não é acumulado e nossos movimentos e o corpo serão desestruturados. Para condensar o Chi nos ossos, a expiração e a inspiração devem fluir suavemente. Na inspiração há fechamento e acúmulo e na expiração há abertura e emissão. A inspiração eleva o Chi de forma natural e pode erguer e desenraizar o oponente. A expiração abaixa o Chi de forma natural e pode derrubar o oponente. Isso é usar a Mente (Yi) e não a força (Li), mobilizando a respiração.

4 – Força Interna: É necessário exercitar para que a energia do corpo inteiro forme um todo, distinguindo claramente o cheio do vazio. Para emitir a energia é preciso conhecer a fonte: a energia tem sua raiz nos pés, sobe pelas pernas, é controlada pela cintura, é emitida desde a espinha dorsal e se expressa nas mãos. É preciso elevar o espírito completamente, prestando atenção ao momento, nem antes nem depois, em que a energia do oponente está prestes a se manifestar, mas ainda não foi liberada. É nesse momento que nossa força já entrou na dele, como o jorro de uma fonte. Dessa maneira, avançamos e recuamos sem a menor desordem. Busquemos a linha reta na curva e acumulemos a energia antes de emiti-la, obtendo o resultado almejado. É o que chamamos de utilizar a força do outro para combatê-lo ou usar alguns gramas para desviar mil quilos.

5 – Concentração do Espírito: Somente depois de haver realizado as quatro condições anteriores podemos concentrar o Espírito (Shen). Quando se concentra o Espírito (Consciência), o Chi desenvolve-se em Shen, o vigor se eleva e se movimenta, a força vital enche regularmente o corpo, a abertura e o fechamento se alternam, e o cheio e o vazio se distinguem com clareza. Se a esquerda estiver vazia, a direita estará cheia, e vice-versa. Quando falamos em vazio, não queremos dizer ausência total de força, pois a manifestação do Chi precisa ser ágil. A força muscular é tomada de empréstimo do oponente. Emite-se o Chi a partir do eixo espinhal. Como emitir o Chi do eixo espinhal? Fazendo-o descer a partir dos ombros, condensando nos ossos da espinha e fixando-o na cintura, no Tan Tien Inferior. Quando o Chi se desloca de cima para baixo, falamos de fechamento. Quando, desde a cintura, se manifesta na espinha, é conduzido através dos ombros e se expressa nos dedos das mãos, essa circulação de baixo para cima, falamos em abertura. Fechar é acumular e abrir é liberar. Quem compreende o que são a abertura e o fechamento conhece o Yin e o Yang. Chegado a esse estágio, o trabalho melhora e se afina dia após dia, até podermos agir progressivamente de acordo com os nossos desejos.

*Prof. Fernando De Lazzari – Yang Yaxin

• Diretor do EQUILIBRIUS – Centro de Tai Chi Chuan, Acupuntura e Cultura Oriental • Diretor do Yang Chengfu Tai Chi Chuan Center – Brasil em Ribeirão Preto-SP • Discípulo direto do Mestre Yang Jun • Representante do Tai Chi Chuan da Família Yang • Vice-Diretor do Departamento de Ranking da International Yang Family Tai Chi Chuan Association • Membro do Comitê de Instrutores da International Yang Family Tai Chi Chuan Association • Professor de Tai Chi Chuan, Chi Kung, Meditação e Cultura Chinesa

Seminário de Tai Chi Chi Chuan da mestra Fang Hong no Brasil, São Paulo.

Aula na USP Leste EACH – Maio 2018

Aula na USP Leste – EACH para a turma do 2o ano da graduação em Educação Física e Saúde.

Agradecimento especial pelo convite do Prof. Dr. Marco Bettine e presença dos amigos do grupo de estudo em Pesquisas Interdisciplinares em Humanidades.

Aula 17 de maio: Concepção de Corpo nas práticas corporais chinesas. Prof. Castro Junior

Aula 24 de Maio: A história das artes corporais chinesas e o Tai Chi Chuan da Família Yang. Profa. Paula Faro

Boas Memórias 2017 – Seminário de Tai Chi Chuan em Piracicaba – Prof. Castro Júnior

Tai chi chuan é destacada por Harvard como atividade física ideal para idosos

A prática incorpora movimentos lentos e relaxantes, que promovem uma maior percepção da respiração, da mente e do corpo

Publicado originalmente em:https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2014/02/tai-chi-chuan-e-destacada…
Prof. Castro Júnior ensinando na China com Mestre Song Bin

Prof. Castro Júnior ensinando na China com Mestre Song Bin

Em lista divulgada no início do ano pela Harvard Medical School, com as cinco melhores atividades físicas para todas as faixas etárias, uma em especial é destacada pela famosa universidade americana quando o assunto é benefícios para a terceira idade: o tai chi chuan. Considerada uma das mais importantes artes marciais chinesas, a prática incorpora movimentos lentos e relaxantes, que promovem uma maior percepção da respiração, da mente e do corpo. Não à toa, profissionais chamam o tai chi chuan de “meditação em movimento”.

– É uma arte que trabalha com o sentir, não com o reagir – explica o professor Sérgio Queiróz, que coordena a Escola de Artes Marciais Chinesas de Porto Alegre.

Por mesclar os exercícios do corpo com os da mente – e oferecer resultados surpreendentes aos praticantes – o tai chi chuan começou a despertar o interesse de estudiosos em diferentes áreas. Atualmente, um núcleo de pesquisa em Harvard se dedica exclusivamente a avaliar os benefícios da prática. Entre os resultados, concluiu que a prática ajuda a manter a densidade óssea, reduz dores decorrentes da artrite, promove a saúde do coração, reduz a hipertensão e, consequentemente, melhora a qualidade de vida.

Para o público de terceira idade, as vantagens são maiores ainda. De acordo com o médico do esporte Fábio S. Cardoso, dos exercícios de equilíbrio, o tai chi chuan provou ser o de maior sucesso na redução de quedas, que se tornam mais frequentes à medida que a idade avança. Além disso, sua prática é benéfica para dar força, resistência muscular e flexibilidade. Continue a ler

O gesto de saudação “baoquanli” e considerações a respeito da dimensão simbólica das artes marciais chinesas

Publicado originalmente em https://gesheclamufpr.wordpress.com/2017/09/11/o-gesto-de-saudacao-baoquanli…..
Por Carlos Alberto Bueno
Mestrando em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná

Gestos de saudação, cortesia, ou reverência são componentes constitutivos da rotina de treinamento de praticantes de artes marciais e de esportes de combate, podendo se apresentar de maneira mais informal ou mais ritualizada. Nas artes marciais chinesas, denominadas wushu, tais gestos podem ser realizados, por exemplo, no início e no encerramento de uma sessão de treinamento, assim como ao começar e terminar um combate ou um taolu (sequência pré-determinada de movimentos, como o kata no karate, ou o poomsae no taekwondo).

A meu ver, a execução de um gesto ritualizado de saudação ou mesura, ao iniciar uma sessão de treinamento, “dá o tom” do padrão de comportamento que deverá se estabelecer no wushu guan (local de prática de wushu). Me parece que fica claro para um praticante, mesmo que inconscientemente, que uma conduta posterior inconsistente com esse primeiro momento corresponde à rejeição dos códigos partilhados pelo grupo, o que pode implicar em dificuldades para a integração do sujeito. Com efeito, a par de seus aspectos restritivos e ordenadores, esses gestos acenam no sentido da cooperação e de uma convivência mais harmônica entre os praticantes.

Em meio às diferentes artes marciais chinesas, vários gestos de saudação e de mesura são empregados. Aproveitarei o ensejo para discorrer brevemente acerca de alguns aspectos de um cumprimento que é utilizado por muitos dos sistemas marciais chineses, qual seja – o “baoquan li” 抱拳礼. Baoquan, em mandarim, significa “envolver o punho”. Li denota ações cerimoniais e de cortesia. O gesto é realizado ao se cobrir o punho direito com a palma da mão esquerda – vide figura 1. Continue a ler

Song Kai “O Paradigma Tai Chi”

Traduzido para o português por Fernando De Lazzari – http://www.taichichuan.com.br/news4.htm

Mestre Cheng Man Ching fazendo a postura Snake Creeps Down de Style Tai Chi Chuan do estilo Yang

Considere esta definição de Tai Chi: a expressão equilibrada dinamicamente das energias opostas. O familiar símbolo Yin-Yang é uma representação gráfica deste conceito essencial. As teorias do Tai Chi Chuan são complexas e às vezes difíceis para entender, mas se nós podemos manter este modelo claramente na mente ele se tornará mais fácil para integrar prática e princípio.
Este artigo examinará duas técnicas principais do Estilo Yang do Tai Chi Chuan, Fang Song, a ação de soltar e afundar e Fang Kai, a ação de abrir e estender. Num primeiro momento estes importantes elementos da prática parecem contraditórios. Como pode alguém relaxar o corpo e ao mesmo tempo alongar as posturas ? Se a pessoa está muito relaxada as posturas terão ausência de energia e se a pessoa está muito alongada a forma se tornará dura e desconectada.
Resolver estas contradições através da integração das forças opostas é a atividade essencial que faz do Tai Chi Chuan um sistema único de auto-enriquecimento e auto-descobrimento. Através da concentração no balanço e na combinação de Fang Song e Fang Kai nós podemos alcançar o relaxamento com energia e as posturas expandidas e conectadas, que caracteriza o Estilo Yang Tradicional da Família Yang de Tai Chi Chuan.

Fang Song

Professor Cheng Man Ching uma vez comentou: “Todo dia Mestre Yang Chengfu instruía-me dizendo, “Song, Song !”, ou às vezes ele dizia, “Você não está Song; você não está Song !”. Enfatizando o ponto dele mais fortemente ele dizia, “Você deve ser completamente Song”. Ele não deixou de repetir isto milhares de vezes”. A importância do Song é bem documentada e ainda permanece um conceito difícil para traduzir dentro do Inglês e Português. “Na língua inglesa e portuguesa não existe equivalente para o caracter chinês “Song”, que significa relaxado e não usar a força bruta, e mais importante, estender e soltar todos os músculos, juntas e articulações do corpo.” Continue a ler

Fotos Tui Shou – Piracicaba 2018

Fotos do Seminário de Tui Shou com o Prof. Castro Jr. em Piracicaba, em abril de 2018.

Jin Li – Cumprimento no Tai Chi Chuan

Origem do texto: http://taichichuanpiracicaba.blogspot.com.br/2013/04/…

É uma saudação ou cumprimento que foi criado na Dinastia Ming (1368-1644), na China pelos lideres revolucionários. E com o passar dos tempos passou a ser utilizados pelas escolas de Artes Marciais Chinesas como cumprimento oficial utilizados até os dias atuais.
O cumprimento é feito com a mão direita fechada e com a esquerda aberta sobre a direita.Esta simbologia tem como significado a junção do conhecimento e da força.
Mão fechada= “O Sol” que é a força, o marcial.

Mão aberta = “A Lua” que é a filosofia, técnica e a sabedoria e também a Arte. Cada dedo mão aberta tem significados com ideais políticos da época apresentados a abaixo:

Primeiro – Dedo fechado – A humildade.

Os quatro dedos abertos representam as quatro educações que são:

Segundo – Educação Moral.
Terceiro – Educação Intelectual (Arte).
Quarto – Educação Física (Marcial).
Quinto – Educação Comunitária (Sociabilidade).